Morar em área rural: vantagem ou desvantagem?


Correio Popular –
28/02/2008 - Caderno Imóveis
 
O que para alguns parece loucura, para outros, optar em morar em área rural foi a melhor escolha de moradia de toda a sua vida. É o que relata Dercílio Aristeu Pupin, de 42 anos, coordenador de ação comunitária de um colégio particular e que há anos trocou uma década de endereço no Bosque de Barão por uma chácara de 23 mil metros quadrados a apenas 15 quilômetros do Centro de Campinas. Morando na zona rural, o coordenador se sente feliz pela qualidade de vida obtida no novo endereço.

“Meus dois filhos agora têm espaço de sobra para brincar”, relata Pupin que até
os 9 anos morou em um sítio na cidade de Santa Fé do Sul, divisa com o Estado do Mato Grosso e convivia com a agricultura de subsistência. “Agora as crianças acompanham o ciclo de vida das plantas e animais e deixaram de pensar que os alimentos ‘nascem’ no supermercado”, comemora. O fato de trabalhar na parte da manhã na área urbana facilita o abastecimento da dispensa com itens não produzidos no local.

Luz elétrica, tevê por assinatura via satélite, fossa asséptica, água de poço artesanal e reservatório de mil litros, coleta de lixo e um imóvel com mil metros
quadrados de área construída. “A casa possui cinco suítes, cozinha, lavabo e uma sala enorme medindo 10 por 5 metros que dá até para jogar bola em dias de chuva”, relata. O detalhe é que a construção foi elaborada com material de demolição, piso de cimento queimado com pó de mármore e janelas de antigos conventos.

É uma propriedade dividida em 20 sítios, dos quais oito estão habitados e se ajudam mutuamente em uma espécie de cooperativa de produtos naturais batizada de
Família Orgânica, que comercializa 200 produtos pelo site www.familiaorganica.com.br, envolvendo 50 famílias da comunidade.

Apesar de os hábitos urbanos da filha de 10 anos, a adaptação no meio rural ocorreu rapidamente. Uma dificuldade foi acordar uma hora mais cedo para ir ao colégio. A motivação é o fato de saber que um “paraíso” particular cheio de coisas a explorar a espera na volta para casa. Em parte do seu terreno, durante o período da tarde, Pupin cultiva quiabo, berinjela, milho e hortaliças. Ele também cria 20 galinhas que ciscam à vontade e, vez ou outra, vão parar na panela. “Hoje produzo 50% de
tudo o que consumimos em casa”, comemora.

O sistema é o de arrendamento do local negociado em cerca de R$ 1mil, além de uma taxa de R$ 50,00 para manutenção do condomínio. “Não troco essa opção de moradia por nada”, garante o arrendatário.

IMPRENSA

Família Orgânica ultrapassa fronteiras
Fonte: Correio Popular—08/05/2008

Autor: Lu Dressano ESPECIAL PARA AGÊNCIA ANHANGÜERA luciene.dressano@rac.com.br

Parcerias com produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul e até da Bolívia geram mais de 200 produtos

A Fazenda Santa Fé, um condomínio rural de 36 alqueires, está localizada entre Campinas e Jaguariúna, na região do bairro Carlos Gomes. O professor Dercílio Aristeu Pupin aluga um alqueire para morar com a família e plantar quiabo, berinjela, milho... Galinhas vivem soltas e garantem os ovos caipiras. Tudo para a subsistência da casa. Na vizinhança, a realidade era a mesma até dois anos atrás, quando um sinal verde foi dado à iniciativa orgânica. “Chegamos e percebemos a qualidade da produção. O excedente era destinado para criação, adubo e até para o lixo”, diz Pupin. Assim, primeiro os amigos, depois os amigos dos amigos, começaram a adquirir os produtos. As entregas eram feitas nos próprios carros. A partir daí, Pupin reuniu os vizinhos produtores, cuja consciência ecológica conta pelo menos 30 anos. A boa relação entre as famílias e a produção organizada gerou um negócio: a Família Orgânica.

Hoje, parcerias com produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul (de grãos a vinho) e até da Bolívia (quinua) geram mais de 200 produtos (verduras, legumes, grãos, laticínios e até material de limpeza e cosméticos). Tudo orgânico. “Esse tipo de produção ainda é muito espalhado. A nossa proposta é aglutinar e favorecer
a chegada dos produtos a mais famílias”, explica Pupin. Em pouco mais de dois anos, o boca em boca juntou 540 apreciadores dos produtos naturais. Os pedidos são feitos semanalmente e as entregas chegam nas casas. Quanto aos preços, Pupin estima serem entre 10% e 15% mais caros em comparação aos praticados na agricultura convencional. Ele explica: “A oferta e a demanda determinam os preços no mercado. E há especulação. Com os produtos orgânicos, é o custo da produção que define o preço”.

Entre os produtos, as verduras geralmente apresentam valores mais em conta. Um pé de alface, por exemplo, sai por R
$ 2,00. Já o tomate, o grande vilão (tanto em cuidado no manejo quanto na qualidade), varia entre R$ 5,00 e R$ 6,00 o quilo. Os ovos caipira são disputados: R$ 4,00 a dúzia. As galinhas vivem a ciscar, comer minhocas e restos de vegetais. Apenas enquanto pintinhos ficam no galinheiro, “para terem o local como referência”, explica Pupin. E basta um cocococó e elas chegam correndo para comer o milho jogado. Doga, uma labradora de 8 anos, foi doada à família há um ano. Ela acompanha Pupin, é amiga das crianças e convive numa boa em meio às galinhas.

Saúde e sabor

Pupin é um
dos líderes da Família Orgânica, uma articulação de produtores rurais da região, “com a finalidade de propiciar mais saúde e sabor às pessoas e ao planeta”. Promover o verde de forma sustentável é o desafio. Além da venda direta ao consumidor, por meio do sistema de entrega em casa, a proposta familiar desenvolve de forma experimental os projetos Turma (para a merenda escolar) e Produção Terapêutica (para pessoas com deficiência) — esse último aguarda parceiros para o início das atividades. “Nossa maior conquista é conseguir eliminar os agrotóxicos de alguns sítios da região e despertar o interesse de outros que estão iniciando a produção orgânica em parceria conosco.”

Quanto à certificação da iniciativa, Pupin explica da seguinte maneira: “A Família Orgânica não necessita de certificados, uma vez que os produtos são escoados diretamente dos produtores para os consumidores. O nosso papel é apenas o de articular os produtores para que os produtos cheguem até a casa dos consumidores. A maioria dos nossos produtores já conta com a certificação orgânica ou biodinâmica. A relação direta entre produtor e consumidor não tem tal exigência”. Para comprovar o que diz, Pupin apresenta a Lei da Agricultura Orgânica: no capítulo II, que trata
das diretrizes da atividade, consta “incentivo à integração da rede de produção orgânica e à regionalização da produção e comércio dos produtos, estimulando a relação direta entre produtor e consumidor final”.

Pupin é de Santa Fé do Sul, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Filho caçula, ele viveu na roça até os 9 anos e resgata com essa iniciativa a vida rural do passado. “Além de poder oferecer aos meus filhos uma vida mais saudável, me sinto motivado a cada dia. Surgem novas perspectivas e mais pessoas interessadas em participar da Família Orgânica, seja como parceiro, produtor
, representante ou mesmo como consumidor direto de nossos produtos”, diz. “Isso deixa a gente contente, pois temos a certeza que estamos ajudando os agricultores a permanecerem no campo de modo sustentável e ajudando o mundo com mais saúde, seja para as pessoas, seja para o meio ambiente.”



 

Confira abaixo, algumas matérias publicadas sobre a Família Orgânica.

Produtores rurais da região firmam parceria e investem em produtos orgânicos

 

Fonte: Jornal de Itatitba

15/07/2008 — Cotidiano

Da Redação

 

Quando mudaram para a Fazenda Santa Fé, localizada entre Campinas e Jaguariúna, o professor Dercílio Aristeu Pupin e família resolveram investir na plantação de quiabo, berinjela, milho e na criação de galinhas. A princípio tudo era para a subsistência da família, mas depois com o interesse do pessoal da cidade, a produção acabou virando negócio.
O crescente interesse dos campineiros por produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos, fez com que a família Pupin investisse nesse segmento criando a chamada “Família Orgânica”, que na verdade trata-se de uma articulação de produtores rurais orgânicos com o objetivo de levar mais
saúde e sabor para as famílias.
Hoje ela conta com diversos parceiros, entre os quais, produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul (de grãos e vinho) e até da Bolívia (quinua – grão encontrado na forma de farinha ou farelo, rico em proteínas e, considerado pela Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, como um alimento perfeito) que geram mais de 200 produtos, entre verduras, legumes, grãos, laticínios e até material de limpeza e cosméticos, tudo orgânico. A idéia agora é buscar fornecedores de frutas orgânicas.
“Quando viemos para região rural, resolvemos investir na produção de produtos orgânicos e
mobilizar os vizinhos para que fizessem o mesmo. A demanda foi crescendo e sentimos a necessidade de nos organizar melhor, estabelecendo parcerias com outras fazendas e pequenos sitiantes. Hoje nossa lista tem mais de 200 produtos e chega a mais de 600 famílias e já estamos fechando uma nova parceria que deverá triplicar esses números”, conta Dercílio Pupin.
A Fazenda Pereiras localizada em Itatiba também faz parte da “Família Orgânica” há um ano e meio. Segundo Matias Vargas, proprietário, a idéia de aderir ao projeto traz inúmeras vantagens. “Eu vejo inúmeras vantagens nessa parceria, como a união de forças, complemento de
interesses, maior abrangência no mercado, além de oferecer uma maior variedade de produtos”, disse.

 

PREÇOS

Quanto aos preços, Pupin estima serem entre 10% e 15% mais caros em comparação aos praticados na agricultura convencional. Entre os produtos, as verduras geralmente apresentam valores mais em conta. Um pé de alface por exemplo, sai por R$ 2, o tomate que é o grande vilão do varejo varia entre R$ 5 e R$ 6 o quilo e os ovos custam em média R$ 4 a dúzia.
“Estamos tentando romper com esse mito. Nossas verduras e legumes, por exemplo, estão praticamente com o mesmo preço dos supermercados com a vantagem que entregamos em casa. Mas, em geral, os produtos orgânicos ainda são considerados mais caros
porque têm um custo alto em relação à mão-de-obra”, disse Pupin.
A maioria dos produtos conta com certificação orgânica ou biodinâmica e para comprovar o que diz, Pupin tem em mãos a Lei da Agricultura Orgânica que em seu capítulo II trata das diretrizes da atividade.

 

PROPOSTAS

Segundo Pupin a proposta da Família Orgânica é levar para a casa do consumidor através de um sistema “delivery” produtos de qualidade e livres de aditivos químicos. “Para isso, propiciamos que os produtos vão direto do produtor para a casa do consumidor”, disse. E ao fazer parte da Família Orgânica, os pequenos agricultores são orientados no planejamento da produção, na precificação dos produtos e apresentação dos mesmos.
Além disso, outras frentes de trabalho foram abertas. O Projeto Turma, por exemplo, atende escolas que se preocupam em oferecer uma merenda de qualidade para suas crianças. No “Horta Orgânica Terapêutica” a proposta
é montar e trabalhar com uma horta em escolas, empresas, hospitais e entidades assistenciais.
Outras propostas também são viabilizadas, como visitas escolares, dias de campo, cursos e turismo rural junto aos parceiros. E em breve, a Família Orgânica contará também com serviços de buffets orgânicos para eventos em geral.
As pessoas interessadas em conhecer ou adquirir os produtos orgânicos poderão entrar em contato nos seguintes telefones (19) 3257-1145 ou (19) 9714-5507 e ainda pelo site www.familiaorganica.com.br.

 

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O ESTADO S. PAULO

quarta-feira, 2 de setembro de 2009, 00:56 | Versão Impressa

 

700 famílias e um objetivo: a produção de orgânicos

Na 'Família Orgânica', com sede em Itatiba (SP), há mais de 400 itens, vendidos para várias regiões

Rose Mary de Souza - O Estado de S.Paulo

 Valéria Gonçalvez/AE

PUPIN E O CULTIVO DE ESPINAFRE - Tudo começou com a venda de almeirão para uma colega

PUPIN E O CULTIVO DE ESPINAFRE - Tudo começou com a venda de almeirão para uma colega

 - .

Um maço de almeirão. Esta foi a primeira hortaliça cultivada organicamente vendida para um colega do antigo trabalho. Era julho de 2006, quando a intenção do educador Dercilio Aristeu Pupin, de Itatiba (SP), era iniciar uma pequena produção de legumes e verduras para atender à própria família e, quem sabe, vender o excedente para pessoas interessadas em alimentos cultivados sem adubo químico e agrotóxicos.

Hoje sua clientela espalha-se por várias cidades do interior, fiel consumidora não somente de maços de almeirão, mas de mais de 400 itens, como vários tipos de legumes, grãos, folhas, raízes, farinha, ovos, leite, frutas, ervas aromáticas
e queijo. Tudo cultivado organicamente e certificado pelo IBD. Até perfumes, produtos de higiene doméstica e pessoal, além de extratos florais e bucha vegetal incorporam o leque de opções.

PARCERIAS
Só que Pupin já não produz tudo isso sozinho. Atualmente, 700 famílias, a maioria da região de Campinas, participam da "Família Orgânica", a marca pela qual os produtos são distribuídos. "A palavra-chave é parceria", diz Pupin. "Temos um produtor de grãos em uma localidade distante, outro que produz leite aqui perto, um terceiro que planta uma cultura diferente e assim vai."

 


MORANGO ORGÂNICO - Produtividade equivalente ao convencional


As vendas começaram pelo sistema delivery. A entrega de porta em porta, ainda bastante usada pelo grupo, é uma das formas de comercialização. Pupin cuida da logística de pegar os pedidos, organizar as entregas e coordenar a administração do tempo em que o alimento é tirado do campo até o consumidor final. Quase tudo é feito pela internet, da lista disponível de produtos até os pedidos e pagamentos. A sede da Família Orgânica é na Fazenda Pereiras, em Itatiba.

O engenheiro agrônomo Matias Weier Vargas é um dos proprietários da Fazenda Pereiras e um dos produtores-parceiros. Ele cultiva 10 hectares
de um total de 170 hectares disponíveis na fazenda, que são utilizados pelos irmãos para outras atividades agrícolas, como criação de gado e plantio de café. Entre as opções de legumes e hortaliças orgânicos estão ervilha torta, brócolis, alface, agrião d?água, couve manteiga, repolho, abobrinhas menina e italiana, além de banana, morangos e ervas aromáticas e medicinais, como erva-cidreira, camomila, orégano e hortelã, entre outras. O volume e o tipo de produto vendido pela Família Orgânica depende do resultado de cada planta e da estação do ano. Por semana, Vargas diz que são vendidas 2 toneladas, sendo 300 quilos por delivery. "E temos espaço para crescer mais", diz Vargas.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,700-familias-e-um-objetivo-a-producao-de-organicos,428223,0.htm

 

 

 

Da horta direto para a cozinha

Jornal O Estado de S.Paulo / Caderno Paladar P4

Quinta-feira, 18 de março de 2010

Reportagem de Cintia Bertolino

Saber que a serralha era orgânica já fazia o chef José Barattino feliz. Mas ele queria mais: descobrir de onde vinham e como eram cultivados os vegetais. Achou uma fazenda para ‘chamar de sua’, logo ali, em Itatiba

 

 

 

 

 

Em campo – O chef José Barattino e o agricultor Dercílio Pupin planejam o resgate de ingredientes no canteiro da fazenda Pereiras, em Itatiba, interior de São Paulo. 

Agachado num canteiro de alface ao lado do agricultor Dercílio Pupin, o chef José Barattino se sente em casa. Está na fazenda Pereiras, sede da Família Orgânica, em Itatiba. Lá fica à vontade como se estivesse na cozinha do restaurante Emiliano.

Barattino sempre lamentou a distância que separa o campo das cozinhas urbanas. Parecia mais lógico manter a proximidade com quem cultiva o que ele prepara. Por isso não lhe bastava comprar legumes e verduras orgânicas e biodinâmicas. Queria ir além, saber de onde vinha a serralha e descobrir como era cultivada.

Durante vários anos o chef pensou em um projeto que acabasse com esse abismo, fosse sustentável e ajudasse a valorizar o pequeno produtor – bem ao estilo do que prega o movimento Slow Food.

 Morador de um apartamento em São Paulo, Barattino saiu em busca de “um sítio para chamar de seu”. Em vez disso, achou sítios e fazendas espalhados pelo Estado onde trabalham 700 famílias de pequenos produtores reunidos sob o nome de Família Orgânica, liderados por Pupin.

Produtores orgânicos como Pupin e Matias Weier Tentor Vargas, proprietário da fazenda Pereiras, têm orgulho de exibir a terra fofa, cheia de microorganismos, de falar dos frutos que produzem e prová-los. Toda quinta a cooperativa entrega seus produtos em São Paulo. Basta entrar no site, “fazer a feira” até domingo e esperar a cesta de produtos fresquinhos em casa.

 

Da roça ao restaurante

A ideia de trabalhar em sintonia com o produtor começou  a tomar forma quando Barattino conheceu Pupin. Depois desse encontro, ficou claro que era hora de deixar o dólmã na cozinha e enfiar o pé na lama.

Desenvolveu um projeto com o hotel Emiliano, cujo restaurante chefia, para acompanhar a produção dos ingredientes que utiliza em seu cardápio e buscar a recuperação de vegetais nativos pouco conhecidos, como orelha-de-urso, beldroegra e almeirão-do-mato. No futuro, pretendem organizar uma feira de pequenos produtores e devolver o lixo orgânico da cozinha para a fazenda, em forma de adubo natural. 

Aos poucos, a distância foi diminuindo e a parceria, se estreitando. Barattino visita a fazenda Pereiras, passeia pelas hortas, conversa com os agricultores e troca informações. Entre canteiros orgânicos de couve-manteiga e vagem, Pupin fala sobre o caeté (ou lírio-do-brejo), que tem flor e raiz comestíveis. “Aí está uma coisa que você precisa levar para testar”, diz ele ao chef. E lá vai a raiz fibrosa, semelhante a um gengibre pálido, para a cozinha-laboratório de Barattino, o Emiliano.

Inspirado no invernal cavolo nero, hortaliça italiana da família do repolho, cujas folhas são consumidas após terem sofrido uma leve geada, Barattino está testando a serralha: “As plantas que sofrem uma geada perdem um pouco das fibras. Estamos experimentando um congelamento controlado para quebrar as fibras de hortaliças

Empolgado com as possibilidade de trabalhar novos ingredientes, o chef está criando sem se preocupar em ter de percorrer um longo caminho até chegar a um prato acabado. “Esse é só o início de um longo período de testes e experiências. A ideia é sair do zero, trabalhar produtos, trocar informações até que as coisas estejam afinadas”, diz.

A convivência é recente, mas chef e produtor são enfáticos ao afirmar que a troca tem sido muito rica. Para ambas as partes.

mais duras”.

 

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Família Orgânica: sistema ‘delivery’ leva à mesa do consumidor produtos sem agrotóxicos

Família Orgânica’ dá exemplo
a cidades do Circuito das Frutas

Fazenda Pereiras reúne cerca de 700 famílias
e vem mudando cenário da produção orgânica

 

Da Redação

Itatiba está entre as dez cidades do Circuito das Frutas, conhecidas pela variedade e qualidade das frutas produzidas na região. Porém, em meio a tanta diversidade de opções, há a carência de produtos orgânicos, tão comentados atualmente.

Localizada na Itatiba-Morungaba, a Fazenda Pereiras – sede da Família Orgânica – iniciou a atividade que vem mudando este cenário da produção orgânica na região, idealizada pelo educador e um dos proprietários da fazenda, Dercilio Aristeu Pupin, o Pupin, como é conhecido entre os moradores da região.

Atualmente, a Família Orgânica é um grupo, envolvendo cerca de 700 famílias produtoras dos mais variados
setores. Além da produção (plantio, cultivo e colheita), fazem parte famílias que cuidam da distribuição, da comunicação, da organização etc.

 

CONCEITO

São considerados produtos orgânicos aqueles que têm uma área de preservação de acordo com a lei, que os produtores mantenham cuidados com todos os recursos naturais, que não usem, evidentemente agrotóxicos – e que só usem produtos naturais -, que respeitem todos os ciclos da vida, principalmente os seus consumidores e que todos os seus funcionários tenham seus direitos garantidos.

Pupin explica que a biodiversidade é o elemento mais importante na produção orgânica. “Deve-se entender que a natureza é um organismo de diversas espécies, então devemos levar em consideração que as plantas também não podem existir em uma monocultura”, comenta.


O segundo aspecto a ser considerado, segundo Pupin, é a questão do local a ser cultivado os produtos. “A localidade deve ser apropriada e de bastante preservação. A mata, a água, a fauna e a flora são organismos totalmente integrados, por isso a produção se chama orgânica”, define.

 

AGROTÓXICOS

De acordo com Pupin, existem produtos que também são orgânicos, e que podem substituir os agrotóxicos. “Porém, quando a produção orgânica já está equilibrada, a gente não precisa usar nenhum tipo de defensivo”, explica o produtor. Os agrotóxicos são prejudiciais à terra, às pessoas que trabalham com ele e, principalmente, às pessoas que consomem os produtos. “Hoje em dia, é muito difícil encontrar um produtor que não utiliza produtos químicos, pois já foi gerada uma cultura de intervenção. No entanto, para trabalhar sem os agrotóxicos também existem técnicas”.

Em relação ao preço, Pupin admite que os produtos orgânicos sejam de
10 a 15% mais caros, porém, deve-se considerar que os benefícios proporcionados pelo não-consumo de agrotóxicos são inúmeros. “Além disso, nossos consumidores dizem que os produtos têm muito mais sabor”, conta.

 

COMO ADQUIRIR

O meio mais utilizado pelos consumidores para adquirirem os produtos da Família Orgânica, é através do site www.familiaorganica.com.br. Atualmente, é possível encontrar mais de 400 produtos, desde frutas, verduras e legumes, até produtos de limpeza, produtos de higiene pessoal, laticínios, grãos, raízes e ervas aromáticas.

Pupin também abre espaço para novos parceiros que tenham interesse em se filiar à Família Orgânica. Basta entrar em contato que os produtores vão até o local se certificarem se toda a produção é realmente orgânica. “As parcerias são sempre muito bem-vindas, principalmente na nossa região”,
disse.

 

ITATIBA

7/9/2009

Orgânicos crescem na Região

 

RUI CARLOS

O agricultor Pupin colhe abobrinha orgânica

O agricultor Pupin colhe abobrinha orgânica

 

Formado em Filosofia, Pedagogia e Comunicação, o educador Dercilio Aristeu Pupin,  43 anos, deixou a vida acadêmica para se dedicar à agricultura orgânica. Com a intenção de oferecer uma vida mais próxima à natureza aos filhos, de 11 e 5 anos, ele migrou para a zona rural, na época a Fazenda Santa Fé, em Campinas. "Lá eles já trabalhavam com agricultura orgânica, meus amigos da cidade sempre pediam para que eu levasse os produtos e a demanda foi crescendo, até que senti a necessidade de articular os produtores para atender os pedidos", conta.

Pupin não só organizou os produtores orgânicos como se
tornou um deles. Em 2006, mudou-se para a Fazenda Pereiras, em Itatiba, e passou a cultivar legumes, verduras e frutas orgânicas. Batizada por Pupin de "Família Orgânica", a rede de produtores agrega cerca de 700 famílias em todo o Brasil, que juntas produzem mais de 400 itens, desde hortaliças até grãos, laticínios, cosméticos e produtos de limpeza orgânicos.

Mesmo com o crescimento dos negócios, Pupin afirma que não abandonou o sistema de entrega em domicílio, embora comercialize os produtos em feiras, mercados e distribuidoras. Segundo o agricultor, o aumento da procura por produtos orgânicos nos últimos anos deve-se à maior preocupação
das pessoas com a qualidade de vida. "Atualmente, assistimos a  um movimento mundial de busca de melhor qualidade de vida, o qual passa pela alimentação", salienta.

No entanto, o consumo de orgânicos no Brasil ainda esbarra no preço. "Os orgânicos são cerca de 10% a 15% mais caros, uma diferença pequena, no entanto, as redes de supermercados jogam o preço lá em cima para ganhar mais que o necessário. Mas se levarmos em consideração os danos ambientais, os gastos com remédios e os prejuízos à saúde do produtor convencional, os orgânicos são infinitamente mais baratos".

Verduras e legumes orgânicos entregues em casa

TV TEM / JUNDIAÍ

29/5/2010 8:45:00

O delivery, nome americano que foi dado para a famosa entrega em domicílio, agora chegou à fazenda. Uma rede formada por 700 pequenos produtores que está utilizando o serviço.

A igreja e as casas da colônia construídas no século 19 para abrigar os trabalhadores continuam bem preservadas. Da lavoura de café, que foi a principal atividade na Fazenda Pereiras por mais de 150 anos, restaram alguns pés. Mudaram as culturas e mudou também o sistema de cultivo.

Há cinco anos a fazenda no município de Itatiba se tornou uma propriedade orgânica e virou sede de uma rede com 700 pequenos produtores que não usam
agrotóxicos e produtos químicos nas plantações.

O agrônomo Matias Vargas é da sexta geração da família do dono da propriedade. Ele diz que resolveu implantar o cultivo orgânico assim que assumiu a administração por que não concorda com os métodos tradicionais de produção.

As técnicas de cultivo são as mesmas usadas em outras lavouras orgânicas. A novidade está no sistema de distribuição das verduras e legumes. Dercilio Pupin, coordenador da rede, explica como são feitos os pedidos. A pessoa entra no site da associação e faz o pedido:
www.familiaorganica.com.br.

Foi acompanhada a entrega de uma cesta na cidade de Itatiba, não muito longe da propriedade. Graciela Oto recebe todas as quartas-feiras a mercadoria que encomendou pela internet. Desta vez, além da encomenda, o produtor trouxe também a serralha para a cliente testar. Graciela gasta por semana cerca de R$ 40 reais e considera que é uma vantagem receber as verduras e legumes orgânicos em casa.

MATÉRIAS EXIBIDAS NA TV:

 

25/02/2011—MegaTV

12/11/2010—TV ESTADÃO

07/09/2010— TV SÉCULO 21

08/08/2010— Domingo Espetacular / TV Record

19/08/2010—Jornal Regional /  Bandeirantes

29/05/2010—TV TEM / Jundiaí

2009— Sbt / Campinas

2009— TV Puc-Campinas

26/07/2008 —Caminhos da Roça —EPTV / Campinas

 

Agricultores por um dia

Com o turismo rural, no qual o visitante vivencia a lida de sitiantes, pequenas propriedades se tornam viáveis

04 de agosto de 2010 | 2h 38

Leandro Costa - O Estado de S.Paulo

Família orgânica. Cerca de cem produtores orgânicos, coordenados por Pupin e Vargas, também recebem turistas na região Itatiba

Sossego, contato com a natureza e com um tradicional modo de vida. É em busca disso que um número cada vez maior de pessoas opta por ir ao campo nas horas de lazer. Essa tendência tem feito o setor de turismo rural, ou agroturismo, crescer nos últimos anos. Hoje, somente no Estado de São Paulo, segundo estimativas do Instituto do Desenvolvimento do Turismo Rural (Idestur), são mais de 800 empreendimentos do gênero, entre hotéis, pousadas e fazendas abertas à visitação.


Além de ser boa opção para quem deseja fugir dos destinos mais badalados, é também ótima oportunidade de renda para quem vive no campo, principalmente para pequenos produtores, diz o presidente da Câmara Setorial de Lazer e Turismo no Meio Rural, órgão ligado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, João Pacheco Neto.

Veja também:

Turistas participam de atividades


Renda extra. "É cada vez mais complicado para o agricultor se sustentar só com a venda da produção", expõe. "O turismo rural surge então como algo que permite agregar valor", continua. "Em algumas cidades do interior paulista, como Itu e Ribeirão Preto, o turismo rural já tem grande representatividade no PIB regional, com propriedades que tiram até 50% de sua renda dessa atividade", diz a presidente do Idestur, Andréia Roque.

É o caso da Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, que produz café em Itu. Há 15 anos, diante das dificuldades de manter os 20 hectares de cultivo somente com a venda do café, a proprietária, Isabel Arruda, decidiu abrir a propriedade para receber visitantes. "Foi difícil abrir minha casa para turistas, mas só a produção já não estava compensando."

Na fazenda, os turistas conhecem da plantação à colheita, secagem no terreiro, lavagem, seleção dos grãos e torrefação. Após cumprir o circuito, há degustação do café moído na hora, vendido também a preços bem mais vantajosos do que os que seriam obtidos com a venda dos grãos. "E as pessoas saem daqui entendendo todo o processo que envolve um simples cafezinho."

Apesar de a principal atividade da fazenda ainda ser o café, Isabel estima que 60% da renda já venha turismo rural. "Você passa a vida sem perceber a importância do que se faz no dia a dia da fazenda. E de repente chega alguém de fora disposto a pagar para compartilhar um pouco daquilo. É gratificante."

Na Família Orgânica, grupo que reúne 100 produtores orgânicos em Itatiba, dentro do Circuito das Frutas, que compreende dez municípios na região de Campinas (SP), a mesma receita rende bons resultados, segundo um dos coordenadores do grupo, Dercílio Pupin.

Volta ao campo. Ali, vários produtores estão despertando para o turismo rural. "As pessoas tentam voltar para o campo, ainda que seja de uma forma diferente, para resgatar as origens e entender a rotina de uma fazenda", diz Pupin.


O agrônomo Matias Wier Vargas, proprietário da Fazenda Pereiras, é um deles. Atualmente, além das visitas promovidas para mostrar como é a produção de alimentos orgânicos e as trilhas no meio da mata, a propriedade também foi preparada para hospedar até 40 pessoas. Vargas diz que atualmente o turismo rural já representa 30% de sua renda.

No município de Louveira, outra cidade do circuito das frutas, o turismo rural começa a dar seus primeiros passos com um grupo de produtores, a maioria deles viticultores, que estão estruturando suas propriedades para receber turistas interessados em colher uvas e em comprar o vinho produzido diretamente no sítio.


O dono do Sítio Santa Rita, que cultiva 4 hectares de uva niagara, Daniel Miqueletto, é um dos pioneiros. Desde 2003 ele abriu a propriedade para visitas. Apesar de estar investindo na ampliação da sua estrutura para poder produzir mais vinho, Miqueletto destaca que a principal vantagem do turismo rural é que, pela proposta de oferecer uma vivência de fazenda aos visitantes, não é necessário muito investimento em estrutura. "Você pode iniciar com o que você tem, fazendo apenas algumas adaptações."

O campo está à mesa

1 de agosto de 2010

16h02

Por Cíntia Bertolino

 

(Foto: Alex Silva/AE)

Dercílio Pupin só conheceu energia elétrica aos 9 anos. José Barattino é de uma geração de chefs de cozinha, que não tem quase nenhum contato com a terra.

Pupin é um dos líderes da Família Orgânica, grupo de pequenos produtores de cultivo orgânico e biodinâmico, com sede na Fazenda Pereiras em Itatiba, interior de São Paulo. Barattino é chef do restaurante Emiliano, em São Paulo.

Quando o Campo Vai à Mesa, foi uma aula emocionante. Nela, Pupin e Barattino falaram de ingredientes incomuns, como o lírio do brejo, e mostraram que o respeito mútuo ao ingrediente pode render uma parceria afinada.

 

http://blogs.estadao.com.br/paladar/

(Foto: Alex Silva/AE)http://www.chacaradeorganicos.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Chef-José-Barattino.bmp

O agricultor também é professor de história, filosofia e psicologia. Ele tem mestrado em educação e há seis anos é o coordenador da ação comunitária do Colégio Pio XII.

Até as sementes já estão sendo produzidas no local

O adubo utilizado na produção da Família Orgânica é um composto orgânico que produz terra vegetal e ajuda a recuperar uma área contaminada. “A terra com mais vida produz alimento saudável”, enfatiza Dercílio Aristeu Pupin. Assim, produto orgânico pode ser definido como aquele cujo manejo não usa agrotóxico. Mas não é só isso. “Além do cuidado com a terra, há ainda o cuidado
com os produtos e com aqueles que trabalham nas diferentes culturas”, diz Alejandra, mulher de Pupin. Ela é gerente administrativa da Escola Waldorf Veredas e ajuda o marido a organizar o novo negócio. “O produtor rural deveria ser mais valorizado, principalmente porque colabora com a recuperação de áreas degradadas. Existe uma grande fiscalização entre os orgânicos quando, na verdade, deveria ser impetrada àqueles que não seguem manejos naturais de produção”, afirma Alejandra. Para Pupin, o incentivo de quem já tem consciência e a preferência dos consumidores pelos produtos naturais pode gerar uma produção mais equilibrada e mais saudável. Como exemplo, ele cita uma empresa: “O tradicional cafezinho servido poderia ser orgânico, um incentivo à prática natural de cultivo. Também é uma maneira de desencadear o bem”. Até sementes a Família Orgânica já produz. São de quiabo, alface, rúcula e tomate, entre outras. “O produtor tem também a função de pesquisador, pois vive a observar pequenos insetos e as diferentes possibilidades de controle. Isso, num primeiro momento, pode parecer perda de tempo. Mas não é. Um repelente natural, encontrado entre diferentes tipos de ervas, garante qualidade do produto e produção no futuro. O que requer muita paciência e tentativas.” (LD/AAN)

SAIBA MAIS

Além da venda direta aos consumidores, a Família Orgânica atende de forma experimental a merenda escolar de duas classes da Escola Waldorf Veredas. Trata-se do Projeto Turma, que consiste em reverter um percentual de tudo que os pais e professores compram para uma caixinha da sala. A aplicação é destinada a passeios e outras atividades pedagógicas, além da inclusão do lanche natural.

A Pedagogia Waldorf concebe o homem como uma unidade harmônica físico-anímico-espiritual e sobre esse princípio fundamenta toda a prática educativa. A partir de uma visão antropológica, abrange todas as dimensões humanas, que estão
em íntima relação com o mundo, explica e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos segundo princípios gerais evolutivos que compreendem etapas de sete anos, denominadas setênios.

O Decreto 6.323, de 27 de dezembro de 2007, regulamenta a Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica e outras providências.

A quinua é um grão e pode ser encontrada na forma de farinha e farelo. É um produto riquíssimo em proteína e foi considerado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação como um “alimento perfeito”. E o melhor: a quinua se adapta facilmente nos solos mais pobres. Descoberto
pelos incas da Bolívia e do Peru há 8 mil anos, o cereal tem valor nutritivo altíssimo. O público-alvo são os atletas (alto teor de proteína e baixo teor de colesterol), as mulheres em menopausa, já que o grão ameniza os sintomas, e aos celíacos, pessoas com intolerância ao glúten.

As pessoas interessadas em conhecer ou adquirir os produtos orgânicos podem enviar e-mail para pupin@familiaorganica.com.br.

Os telefones para contato são (19) 3289-2992 ou 9714-5507. Mais informações podem ser obtidas no site www.familiaorganica.com.br.

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Emiliano

Contato:

 

FAMÍLIA ORGÂNICA

Fones: (19) 9714-5507

(19) 9664-0422

DE VOLTA AO CAMPO

Revista Vida Simples, abril de 2011

 

...A nossa vez No Brasil também podemos ver os passos cada vez mais largos desse movimento, que começou com algumas iniciativas de alguns pequenos produtores. Em 1974, por exemplo, surgiu a primeira fazenda biodinâmica brasileira, a Estância Demétria, em Botucatu, interior de São Paulo. Na agricultura biodinâmica, as plantas são fortificadas com preparados homeopáticos, feitos pelos próprios agricultores. E os ciclos de plantação e colheita respeitam até o calendário lunar.

O casal Maria José e Francisco Carlos Viesi resolveu produzir alguns dos alimentos cultivados no sítio Terra Mãe, em Joaquim Egídio, distrito de Campinas (SP), seguindo essa filosofia. Empresários de suprimentos para o setor
de saúde, resolveram investir na outra ponta do processo ao produzir alimentos naturais e mais saudáveis. “As pessoas hoje vivem presas no escritório o dia inteiro e mal têm tempo para comer, se preocupam muito pouco com isso”, diz Zezé. Depois de passar mais de dez anos vendo de perto as doenças, ela percebeu que nossa relação com a alimentação também está carecendo de cuidados. “Ao produzir orgânicos e biodinâmicos, queremos ensinar a importância de manipular aquilo que comemos, sendo mais conscientes do que levamos à mesa”, afirma. Ainda em fase de testes, a propriedade investe na produção de alimentos tão diversos quanto caqui, alface, tomate, acerola, entre outros. E ainda promove encontros tanto para produtores quanto para cozinheiras e crianças, que aprendem a valorizar o alimento desde cedo.

Nessa mesma linha de cooperação regional, a Família Orgânica, microempresa que apostou na agricultura natural e na permacultura, começou quando Dercílio Pupin decidiu se mudar para uma fazenda em Campinas para criar os filhos. Hoje existem mais de 700 famílias envolvidas direta ou indiretamente na produção dos alimentos comercializados pela empresa. Além dos proprietários do sítio Terra Mãe, a Família Orgânica já possui cerca de outros 20 produtores ligados à sua rede
, que trabalham em família, com apoio da comunidade e associações ou cooperativas para produzir e vender seus produtos nas próprias fazendas, em feirinhas ou lojas especializadas.

 

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