Morar em área rural: vantagem ou desvantagem?


Correio Popular –
28/02/2008 - Caderno Imóveis
 
O que para alguns parece loucura, para outros, optar em morar em área rural foi a melhor escolha de moradia de toda a sua vida. É o que relata Dercílio Aristeu Pupin, de 42 anos, coordenador de ação comunitária de um colégio particular e que há anos trocou uma década de endereço no Bosque de Barão por uma chácara de 23 mil metros quadrados a apenas 15 quilômetros do Centro de Campinas. Morando na zona rural, o coordenador se sente feliz pela qualidade de vida obtida no novo endereço.

“Meus dois filhos agora têm espaço de sobra para brincar”, relata Pupin
que até os 9 anos morou em um sítio na cidade de Santa Fé do Sul, divisa com o Estado do Mato Grosso e convivia com a agricultura de subsistência. “Agora as crianças acompanham o ciclo de vida das plantas e animais e deixaram de pensar que os alimentos ‘nascem’ no supermercado”, comemora. O fato de trabalhar na parte da manhã na área urbana facilita o abastecimento da dispensa com itens não produzidos no local.

Luz elétrica, tevê por assinatura via satélite, fossa asséptica, água de poço artesanal e reservatório de mil litros, coleta de lixo e um imóvel com
mil metros quadrados de área construída. “A casa possui cinco suítes, cozinha, lavabo e uma sala enorme medindo 10 por 5 metros que dá até para jogar bola em dias de chuva”, relata. O detalhe é que a construção foi elaborada com material de demolição, piso de cimento queimado com pó de mármore e janelas de antigos conventos.

É uma propriedade dividida em 20 sítios, dos quais oito estão habitados e se ajudam mutuamente em uma espécie de cooperativa de produtos naturais batizada de
Família Orgânica, que comercializa 200 produtos pelo site www.familiaorganica.com.br, envolvendo 50 famílias da comunidade.

Apesar de os hábitos urbanos da filha de 10 anos, a adaptação no meio rural ocorreu rapidamente. Uma dificuldade foi acordar uma hora mais cedo para ir ao colégio. A motivação é o fato de saber que um “paraíso” particular cheio de coisas a explorar a espera na volta para casa. Em parte do seu terreno, durante o período da tarde, Pupin cultiva quiabo, berinjela, milho e hortaliças. Ele também cria 20 galinhas que ciscam à vontade e, vez ou outra, vão parar na panela. “Hoje produzo 50% de
tudo o que consumimos em casa”, comemora.

O sistema é o de arrendamento do local negociado em cerca de R$ 1mil, além de uma taxa de R$ 50,00 para manutenção do condomínio. “Não troco essa opção de moradia por nada”, garante o arrendatário.

IMPRENSA

Família Orgânica ultrapassa fronteiras


Fonte: Correio Popular—
08/05/2008

Autor: Lu Dressano ESPECIAL PARA AGÊNCIA ANHANGÜERA luciene.dressano@rac.com.br

 
Parcerias com produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul e até da Bolívia geram mais de 200 produtos


A Fazenda Santa Fé, um condomínio rural de 36 alqueires, está localizada entre Campinas e Jaguariúna, na região do bairro Carlos Gomes. O professor Dercílio Aristeu Pupin aluga um alqueire para morar com a família e plantar quiabo, berinjela, milho... Galinhas vivem soltas e garantem os ovos caipiras. Tudo para a subsistência da casa. Na vizinhança, a realidade era a mesma até dois anos atrás, quando um sinal verde foi dado à
iniciativa orgânica. “Chegamos e percebemos a qualidade da produção. O excedente era destinado para criação, adubo e até para o lixo”, diz Pupin. Assim, primeiro os amigos, depois os amigos dos amigos, começaram a adquirir os produtos. As entregas eram feitas nos próprios carros. A partir daí, Pupin reuniu os vizinhos produtores, cuja consciência ecológica conta pelo menos 30 anos. A boa relação entre as famílias e a produção organizada gerou um negócio: a Família Orgânica.

Hoje, parcerias com produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul (de grãos a vinho) e até da Bolívia (quinua) geram mais de 200
produtos (verduras, legumes, grãos, laticínios e até material de limpeza e cosméticos). Tudo orgânico. “Esse tipo de produção ainda é muito espalhado. A nossa proposta é aglutinar e favorecer a chegada dos produtos a mais famílias”, explica Pupin. Em pouco mais de dois anos, o boca em boca juntou 540 apreciadores dos produtos naturais. Os pedidos são feitos semanalmente e as entregas chegam nas casas. Quanto aos preços, Pupin estima serem entre 10% e 15% mais caros em comparação aos praticados na agricultura convencional. Ele explica: “A oferta e a demanda determinam os preços no mercado. E há especulação. Com os produtos orgânicos, é o custo da produção que define o preço”.

Entre os produtos, as verduras geralmente apresentam valores mais em conta. Um pé de alface, por exemplo, sai por R$ 2,00. Já o tomate, o grande vilão (tanto em cuidado no manejo quanto na qualidade), varia entre R$ 5,00 e R$ 6,00 o quilo. Os ovos caipira são disputados: R$ 4,00 a dúzia. As galinhas vivem a ciscar, comer minhocas e restos de vegetais. Apenas enquanto pintinhos ficam no galinheiro, “para terem o local como referência”, explica Pupin. E basta um cocococó e elas chegam correndo para comer o milho jogado. Doga, uma labradora
de 8 anos, foi doada à família há um ano. Ela acompanha Pupin, é amiga das crianças e convive numa boa em meio às galinhas.

Saúde e sabor

Pupin é um dos líderes da Família Orgânica, uma articulação de produtores rurais da região, “com a finalidade de propiciar mais saúde e sabor às pessoas e ao planeta”. Promover o verde de forma sustentável é o desafio. Além da venda direta ao consumidor, por meio do sistema de entrega em casa, a proposta familiar desenvolve de forma experimental os projetos Turma (para a merenda escolar) e Produção Terapêutica (para pessoas com deficiência)
— esse último aguarda parceiros para o início das atividades. “Nossa maior conquista é conseguir eliminar os agrotóxicos de alguns sítios da região e despertar o interesse de outros que estão iniciando a produção orgânica em parceria conosco.”

Quanto à certificação da iniciativa, Pupin explica da seguinte maneira: “A Família Orgânica não necessita de certificados, uma vez que os produtos são escoados diretamente dos produtores para os consumidores. O nosso papel é apenas o de articular os produtores para que os produtos cheguem até a casa dos consumidores. A maioria dos nossos produtores já conta com a certificação orgânica ou
biodinâmica. A relação direta entre produtor e consumidor não tem tal exigência”. Para comprovar o que diz, Pupin apresenta a Lei da Agricultura Orgânica: no capítulo II, que trata das diretrizes da atividade, consta “incentivo à integração da rede de produção orgânica e à regionalização da produção e comércio dos produtos, estimulando a relação direta entre produtor e consumidor final”.

Pupin é de Santa Fé do Sul, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Filho caçula, ele viveu na roça até os 9 anos e resgata com essa iniciativa a vida rural do passado. “Além de poder
oferecer aos meus filhos uma vida mais saudável, me sinto motivado a cada dia. Surgem novas perspectivas e mais pessoas interessadas em participar da Família Orgânica, seja como parceiro, produtor, representante ou mesmo como consumidor direto de nossos produtos”, diz. “Isso deixa a gente contente, pois temos a certeza que estamos ajudando os agricultores a permanecerem no campo de modo sustentável e ajudando o mundo com mais saúde, seja para as pessoas, seja para o meio ambiente.”

O agricultor também é professor de história, filosofia e psicologia. Ele tem mestrado em educação e há seis anos é o coordenador da
ação comunitária do Colégio Pio XII.

Até as sementes já estão sendo produzidas no local

O adubo utilizado na produção da Família Orgânica é um composto orgânico que produz terra vegetal e ajuda a recuperar uma área contaminada. “A terra com mais vida produz alimento saudável”, enfatiza Dercílio Aristeu Pupin. Assim, produto orgânico pode ser definido como aquele cujo manejo não usa agrotóxico. Mas não é só isso. “Além do cuidado com a terra, há ainda o cuidado com os produtos e com aqueles que trabalham nas diferentes culturas”, diz Alejandra, mulher de Pupin. Ela é gerente administrativa da Escola
Waldorf Veredas e ajuda o marido a organizar o novo negócio. “O produtor rural deveria ser mais valorizado, principalmente porque colabora com a recuperação de áreas degradadas. Existe uma grande fiscalização entre os orgânicos quando, na verdade, deveria ser impetrada àqueles que não seguem manejos naturais de produção”, afirma Alejandra. Para Pupin, o incentivo de quem já tem consciência e a preferência dos consumidores pelos produtos naturais pode gerar uma produção mais equilibrada e mais saudável. Como exemplo, ele cita uma empresa: “O tradicional cafezinho servido poderia ser orgânico, um incentivo à prática natural de cultivo. Também é uma maneira de desencadear o bem”. Até sementes a Família Orgânica já produz. São de quiabo, alface, rúcula e tomate, entre outras. “O produtor tem também a função de pesquisador, pois vive a observar pequenos insetos e as diferentes possibilidades de controle. Isso, num primeiro momento, pode parecer perda de tempo. Mas não é. Um repelente natural, encontrado entre diferentes tipos de ervas, garante qualidade do produto e produção no futuro. O que requer muita paciência e tentativas.” (LD/AAN)

SAIBA MAIS

Além da venda direta aos consumidores, a Família Orgânica atende de forma experimental a merenda escolar de duas classes
da Escola Waldorf Veredas. Trata-se do Projeto Turma, que consiste em reverter um percentual de tudo que os pais e professores compram para uma caixinha da sala. A aplicação é destinada a passeios e outras atividades pedagógicas, além da inclusão do lanche natural.

A Pedagogia Waldorf concebe o homem como uma unidade harmônica físico-anímico-espiritual e sobre esse princípio fundamenta toda a prática educativa. A partir de uma visão antropológica, abrange todas as dimensões humanas, que estão em íntima relação com o mundo, explica e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos segundo princípios gerais evolutivos que compreendem etapas de
sete anos, denominadas setênios.

O Decreto 6.323, de 27 de dezembro de 2007, regulamenta a Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica e outras providências.

A quinua é um grão e pode ser encontrada na forma de farinha e farelo. É um produto riquíssimo em proteína e foi considerado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação como um “alimento perfeito”. E o melhor: a quinua se adapta facilmente nos solos mais pobres. Descoberto pelos incas da Bolívia e do Peru há 8 mil anos, o cereal tem valor nutritivo altíssimo. O público-alvo são os atletas (alto
teor de proteína e baixo teor de colesterol), as mulheres em menopausa, já que o grão ameniza os sintomas, e aos celíacos, pessoas com intolerância ao glúten.

As pessoas interessadas em conhecer ou adquirir os produtos orgânicos podem enviar e-mail para pupin@familiaorganica.com.br.

Os telefones para contato são (19) 3257-1145 ou 9714-5507. Mais informações podem ser obtidas no site www.familiaorganica.com.br.

 

Confira abaixo, algumas matérias publicadas sobre a Família Orgânica.

Produtores rurais da região firmam parceria e investem em produtos orgânicos

 

Fonte: Jornal de Itatitba

15/07/2008 — Cotidiano

Da Redação

 

Quando mudaram para a Fazenda Santa Fé, localizada entre Campinas e Jaguariúna, o professor Dercílio Aristeu Pupin e família resolveram investir na plantação de quiabo, berinjela, milho e na criação de galinhas. A princípio tudo era para a subsistência da família, mas depois com o interesse do pessoal da cidade, a produção acabou virando negócio.
O crescente interesse dos campineiros por produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos, fez com que a família Pupin investisse nesse segmento criando a chamada “Família Orgânica”, que na verdade trata-se de uma articulação de produtores rurais orgânicos com o objetivo de levar mais
saúde e sabor para as famílias.
Hoje ela conta com diversos parceiros, entre os quais, produtores de Campinas, Valinhos, Itatiba, Rio Grande do Sul (de grãos e vinho) e até da Bolívia (quinua – grão encontrado na forma de farinha ou farelo, rico em proteínas e, considerado pela Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, como um alimento perfeito) que geram mais de 200 produtos, entre verduras, legumes, grãos, laticínios e até material de limpeza e cosméticos, tudo orgânico. A idéia agora é buscar fornecedores de frutas orgânicas.
“Quando viemos para região rural, resolvemos investir na produção de produtos orgânicos e
mobilizar os vizinhos para que fizessem o mesmo. A demanda foi crescendo e sentimos a necessidade de nos organizar melhor, estabelecendo parcerias com outras fazendas e pequenos sitiantes. Hoje nossa lista tem mais de 200 produtos e chega a mais de 600 famílias e já estamos fechando uma nova parceria que deverá triplicar esses números”, conta Dercílio Pupin.
A Fazenda Pereiras localizada em Itatiba também faz parte da “Família Orgânica” há um ano e meio. Segundo Matias Vargas, proprietário, a idéia de aderir ao projeto traz inúmeras vantagens. “Eu vejo inúmeras vantagens nessa parceria, como a união de forças, complemento de
interesses, maior abrangência no mercado, além de oferecer uma maior variedade de produtos”, disse.

 

PREÇOS

Quanto aos preços, Pupin estima serem entre 10% e 15% mais caros em comparação aos praticados na agricultura convencional. Entre os produtos, as verduras geralmente apresentam valores mais em conta. Um pé de alface por exemplo, sai por R$ 2, o tomate que é o grande vilão do varejo varia entre R$ 5 e R$ 6 o quilo e os ovos custam em média R$ 4 a dúzia.
“Estamos tentando romper com esse mito. Nossas verduras e legumes, por exemplo, estão praticamente com o mesmo preço dos supermercados com a vantagem que entregamos em casa. Mas, em geral, os produtos orgânicos ainda são considerados mais caros
porque têm um custo alto em relação à mão-de-obra”, disse Pupin.
A maioria dos produtos conta com certificação orgânica ou biodinâmica e para comprovar o que diz, Pupin tem em mãos a Lei da Agricultura Orgânica que em seu capítulo II trata das diretrizes da atividade.

 

PROPOSTAS

Segundo Pupin a proposta da Família Orgânica é levar para a casa do consumidor através de um sistema “delivery” produtos de qualidade e livres de aditivos químicos. “Para isso, propiciamos que os produtos vão direto do produtor para a casa do consumidor”, disse. E ao fazer parte da Família Orgânica, os pequenos agricultores são orientados no planejamento da produção, na precificação dos produtos e apresentação dos mesmos.
Além disso, outras frentes de trabalho foram abertas. O Projeto Turma, por exemplo, atende escolas que se preocupam em oferecer uma merenda de qualidade para suas crianças. No “Horta Orgânica Terapêutica” a proposta
é montar e trabalhar com uma horta em escolas, empresas, hospitais e entidades assistenciais.
Outras propostas também são viabilizadas, como visitas escolares, dias de campo, cursos e turismo rural junto aos parceiros. E em breve, a Família Orgânica contará também com serviços de buffets orgânicos para eventos em geral.
As pessoas interessadas em conhecer ou adquirir os produtos orgânicos poderão entrar em contato nos seguintes telefones (19) 3257-1145 ou (19) 9714-5507 e ainda pelo site www.familiaorganica.com.br.

 

ATUALIZAÇÃO:

As alfaces hoje são comercializadas a R$ 1,50 e o tomate a R$ 4,80

Caixa de texto: COMPRAR
Elipse: Assista Reportagem sobre a Família Orgânica exibido na TV Globo 
Caminhos da Roça
Caixa de texto: Confira também:
 
Caixa de texto: Quero receber a lista atualizada
Caixa de texto: TERAPIAS ORGÂNICAS

Fazenda Pereiras

Rodovia Constâncio Cintra, km 96,5

Itatiba, SP - Brasil

Fone: (11) 4594-4445

Celular: (19) 9714-5507

 

 

Família Orgânica: sistema ‘delivery’ leva à mesa do consumidor produtos sem agrotóxico